Meus versos, meu avesso...

Laboratório de palavras.

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Location: Rio, Brazil

Sunday, July 30, 2006

Falso beija-flor (provisorio)

O canto dos passáros que não falam,
a agonia das palavras sempre atrasadas
a fome de querer tudo no jejum eterno
Uma atitude sem razão, um verso sem refrão
Uma música sem solução, uma equação na contra-mão

Para onde vamos depois que tudo começar?
Quem somos quando paramos de olhar...
Um sentimento sem emoção, um copo cheio
de aflição, o frio no alto verão.

O que acontece quando não queremos despertar?
Quando o sonho é sem ilusão, e a vida é em vão
Um toque sem carinho, dois beijos sem paixão
Uma carta sem sentido, de um amor ladrão
A noite cheia de uma cabeça vazia

Quem pode mudar um perdão? Trocar o sim pelo não
Um desenho sem cor, na ferida indolor
A magia do conquistador e seu desprezo pelo amor
Cantando com os passáros fingindo ser beija-flor
Sem alegria, nem paixão, desesperado coração.

DC 30/7/6

Monday, July 24, 2006

Ossos do ofício

Calça suja de manteiga,
camisa mal passada.
O óculos que me cega
a sola que o sapato não tem!

O nó gordo e frouxo revela,
o atraso, o desleixo, a impaciência...
Fumaça já não tem o café,
e o gás da água levou a fé.

O cursor cintilante na tela,
parece contar meu marasmo.
As teclas são todas iguais,
e o tempo já me levou as vogais.

Nada é inspirador, perfeita harmonia:
estática, opaca, sem estilo ou magia.
Treze carros por hora,
os pedestres não somam vinte!

Quantos anos passaram?
Quantos foram enganados?
Pela janela ainda se vê,
o reflexo de um rosto, sem barba e sem prazer.

DC 24/7/6