Meus versos, meu avesso...

Laboratório de palavras.

Name:
Location: Rio, Brazil

Tuesday, June 15, 2004

Mesmo você (provisório)

Sempre os mesmos desenhos,
palavras que mudam seus traços,
espelhos que mostram pedaços,
sonhos perdidos no espaço...

Memórias que retumbam n'alma.
falas que calam o silêncio do grito,
números que se perdem no infinito.
Atormentos que levam à calma.

Nomes que lembram gente,
amores que a gente não sente,
ódio de quem sente e não mente,
beijo que mente pra gente.

Dores que curam o são,
sorrisos que não tem razão,
choro de quem não apanha.
A fé que não move montanha.

Meu desejo é restrito
contido, amarrado, perdido.
Meu caminho não é reto,
de curvas, desejos, incerto.

Sou razão, crença, ilusão...
Destino de quem não me vê.
Verdade que funde, desilusão,
Sem coração, nem lágrima... sem você.

DC 15/6/4

Sunday, June 06, 2004

Onde estão os Deuses?

Partiram a muito, sem adeus deixar
Sem fé, sem esperança, o povo a vagar
Perguntavam onde estavam os homens serios
Nenhum a vista, sem Deuses, só demonios.

Além da ira, veio a vingança,
e assim cresceu a criança, descalça de fé.
E logo de pé, sem ter onde pisar,
Vagou pelos céus sem saber rezar.

O cego já desistira de enchergar.
Sem milagre, olhos só para chorar
no mundo que nunca viu, lágrimas viravam rios
E na escuridão d'alma, calafrios.

Multiplicaram-se as dores, sucubiram os amores
Sem brilho o dia era pálido, sem cor eram as flores
O ar pesado cansava os corpos, enterros sem mortos
A vida era fardo, sem promessas, sem pecados.

De repente brotou o Sol, brilhando negro ao norte.
Sussurros anunciavam o fim: chegou a Morte!
Clamou pelas almas sem dono, agora em desespero
Já pronta para ceifar, apressou o derradeiro

A terra tingida de vermelho, a criança a clamar,
Sua prece parou a Morte, estava Eles a chamar.
Sem fiéis nem templo, atenderam aquele chamado,
E então os Deuses pergutaram: por que haviam vocês nos deixado?

DC 6/6/4