Meus versos, meu avesso...

Laboratório de palavras.

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Location: Rio, Brazil

Sunday, December 28, 2003

Mais um

Nas lapides do cosmo
escreverei as dores
das relembranças perdidas
da vida e dos amores.

A mais bela pedida
será tua doce vingaça
fria, rápida, indolor
tão inútil quanto sem cor.

De nada adiantou,
o tempo perdido,
ou matar quem amou,
tudo se foi, ou partido ficou.

Mazelas constantes,
infligiram seu passo,
por mais que passantes
deixam seus traços.

Convertem a teu céu,
ainda assim sem razão
esperava com fé
sem ter nada na mão.

Não julgava o dar-te
tangia a emoção
subestimei teu amar
e fiz-me ladrão.

Furtei tuas lagrimas
e dei-te outras novas
ja não mais de paixão
de aqua, sal e ódio elas são.

Pelas letras perdidas
na glória das trovas,
a encontrar o perdão
ja abusava o coração.

Recolhi meu querer,
expurguei as memórias.
Sem medir restos,
Afoguei-me nos lastros.

Sem valor, dei valor
me fiz encantar
criei em ti uma flor
mas cultivei sem amar.

DC 28/12/3

Wednesday, December 10, 2003

Acreditador

Milagres do mundo... causas perdidas?
Iluminação relampejante ao cair da noite...
Equilíbrio sobre a unha do dedo mínimo... do pé!
Fazer da rotina um absurdo mutante.

Um só Universo com milhares de palavras,
na busca pelas exatas, mergulho nas incertas.
Pensamento contemplativo ruminante... indefinido.
As suas idéias fluem, meio castas... podadas.

Porque então não fala, pede, suplica?
Não é de bom tom! Tom pastel, sem brilho...
A muito se vai longe o esplendor da luz.
O descolorido que a tudo tinge... nada explica.

Confia na fé única dos mortais: o sim e o não.
A verdade que senta ao meu lado mente, é astuta.
Mente brilhante(mente), que foge e aguarda...
Agora sem fé, a virgindade dos dias que virão.

E então, alguns iluminados dirão: sonhador
os céticos racionalistas intitulariam insano
Mas na essência, no começo e no fim, e para sempre:
serei na eternidade, apenas um acreditador.

DC 10/12/3